É incrível como somos frágeis.
Não nos damos conta dessa fragilidade até ficarmos doentes.
A semana foi dura.
Quarta Feira: Não acordei bem, e a ida matinal ao banheiro não foi como de costume. Sentia cólicas e a consistência fecal era de aparência indescritível. Mesmo assim fui ao dentista de manhã e depois direto pra faculdade. Na faculdade, comi um saco de amendoim e um polenguinho. De volta pra casa, quase na hora do almoço, comi um sanduiche com queijo e presunto e tomei um copo de leite puro.
Marcelo estava em casa, já que seu dedo inflamado ainda doía muito. Nesse dia nosso interfone finalmente estava sendo instalado! Após essa refeição, fomos ao mercado fazer compras, pois a casa estava mesmo carente de uma despensa de verdade!
As cólicas e o mal estar vieram, então achei que estava chegando minha regra menstrual. De volta pra casa, mais uma vez fui ao banheiro e constatei: uma desinteria. Aff, detesto ficar parada, mas o corpo não respondia mais. Só queria cama, sofá e descanso. Ainda resolvemos alguns prolemas na rua e em casa a tarde e o cansaço voltou.
Lanchei um copo de leite com bolo e fui estudar. Marcelo ficou imcumbido do jantar, que foi feito com muito capricho: Strogonoff de Frango! Estava uma delícia.
O problema piorou depois do jantar... uma vida de rainha literalmente, foi que experimentei. Do trono pra cama e da cama para o trono - Fiz esse percurso bem umas dez vezes, no mínimo! E não estou brincando! Por fim meu corpo não aguentava, eu lia o texto da faculdade e já não entendia nada!
Fui vencida pelo cansaço e pelo sono nessa noite e uma péssima impressão de desmaio.
Quinta Feira: Mais uma vez ao banheiro, com fezes totalmente líquida como na noite anterior, e eu quase desmaiei voltando pra cama. Eu precisava de um médico embora odiasse a idéia. Marcelo se arrumava para trabalhar quando eu pedi, - por favor, eu não estou bem, me leve no médico.
Irrecusável, eu querendo ir a um médico! Quando cheguei quase desamiei na recepção, vomitei sulco gástrico, horrível. É uma sensação de morte, seus sentidos se esvaindo, sua vida diminuindo. A percepção fica distante. Você sua frio, e seu corpo é puro calor. Seu cérebro manda você reagir, mas nenhum membro obedece ao comando. Você implora, não há mais forças em você, o fim parece iminente - socorro! Alguém me ajude....
Fiquei no soro e em observação durante toda a manhã. O exame de sangue chegou quase na hora do almoço e não acusou nada. - 'Deve ser só uma gastroenterite' - anuncia a médica.
De volta pra casa, toma soro, toma Floratil, come maçã, come biscoito de água e sal. Toma Gatorade, e.... descansa (sempre num intervalo entre uma cagadinha e outra, rs). Putz, mais?! Eu vi uns 4 filmes, a novela, o jornal, a outra novela, a Grande Família, As Brasileiras, uffa! De jantar, canjinha... e descobrimos uma febre, 38º - o que não é muito alarmante, mas é febre de qualquer forma. Toma mais um remédio pra febre. E ainda dormi como um anjinho a noite.... depois de tanto descanso!
Sexta Feira: Nada da 'desinterite' passar. Não conseguia fazer nada por completo, mal lavava uma louça. - 'Não é possível, gente! Vamos a outro médico ' - disse minha mãe.
Ok, outra emerêngia, fomos nós ao Copa D'Or. Mesmo diagnóstico, continua o tratamento, acrescenta Yakult, diminui o intervalo entre as doses de Floratil. Ok,próximo passo: Mercado, compras! Agora fico na casa da mamãe, já que o maridão vai viajar. E da-lhe Yakult e biscoito maizena. Toma Gatorade, e de jantar, tchan tchan tchan tchan..... Arroz branco, carne moída sem gordura e sem tempero, cenourinha cozida e banana! Oba.... A partir daí comecei a me sentir mais forte. Por isso não imagino uma pessoa forte sem comer carne vermelha, me faz tão bem....
A noite foi boa, sem idas ao trono, graças, acho que já estava assada aí....
Sábado: Amanheci me fazendo mil perguntas, pois adormeci conversando com o Senhor meu Deus. E no momento que a gente fica assim limitado, doente por algum motivo, os questionamentos vem. Porque estamos doentes, quando nos descuidamos? Em que momentos ingerimos algo ruim e não percebemos? Se partissemos hoje, nossa vida teria sido até então feliz? Estavamos nos preocupando com as coisas certas, valorizando quem realmente nos ama? - Aqui cabe muito bem um versículo que o Senhor sempre me faz lembrar nesses momenos de fraqueza nossos.
"..., porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza.... Porque quando estou fraco então sou forte."
2 Coríntios 12:9-10
Claro que o versículo diz muito mais, fala de outras situações. Mas a fraqueza física, é uma delas.
Nos sentimos tão independentes, tão auto-suficientes, tão poderosos em nós mesmos. e nos esquecemos de que somos nada mais que pó. Que possui um espírito dado pelo Criador.
Nesse intervalo entre o nascimento e a morte que chamamos de vida, o que fazemos?
Amamos? Odiamos? Entregamos? Cobiçamos? Ajudamos? Repudiamos?
Não é interessante pensar nisso? Uma mulher totalmente indefesa sentindo a morte naquela sensação de desmaio numa recepção de hospital. Se não fosse o calor do amor do maridão, que o Senhor me deu.... e a certeza de que seria cuidada por ele ali, como o Senhor sempre cuida de mim, onde quer que eu vá. Eu sei que ele é um anjo que Deus colocou em minha vida pra cuidar de mim. Do mesmo modo como eu sou um anjo que Deus colocou na vida do Marcelo, pra que eu possa ciudar dele.
Obrigada Senhor, pelo homem que o Senhor me deu, que me fez ter de novo, vontade de voltar pra casa.... Agora eu sei o que é Aconchego, é o que eu tenho em casa, na saúde e na doença.
Por fim a regra menstrual veio, a dieta fez efeito, descansei mais, ainda! A gente doente é como um bicho ferido, que fica na caverna, escondido, até se recuperar, e poder sair então, de novo!
É bom ter quem cuide de nós e mais ainda, a consciência de quem são essas pessoas, que nos amam acima de outras coisas... Obrigada mãe, obrigada Celito! Amo vocês.... sempre comigo...